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Arrendamentos substituem compra de casa em tempo de crise financeira
Date 21/11/2008 10:23 Author nunoborges
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Imobiliárias queixam-se com vendas a descer a pique

Arrendamentos substituem compra de casa em tempo de crise financeira

 

O mercado imobiliário está parado. O marasmo é apenas interrompido pelos arrendamentos que algumas imobiliárias põem à disposição para fazer face ao abrandamento na compra e venda de habitações. Os bancos não estão a facilitar os empréstimos a habitação e os particulares estão retraídos no investimento. O arrendamento tem sido um bom negócio, mas com a descida da Euribor a compra vai começar a ser mais vantajosa



Laura Sequeira

A falta de confiança dos portugueses e dos habitantes da região do Entre Douro e Vouga e o difícil acesso ao crédito habitação são as principais razões para o abrandamento nas vendas de casas na região. O Mais Alerta contactou com diversas imobiliárias e o resultado foi sempre o mesmo: as vendas desceram a pique. De acordo com os agentes imobiliários, aparece muita gente para vender casa, mas raros são aqueles que conseguem comprar. Desde Maio e Junho que as vendas estão quase paradas e os negócios que ainda se fazem são de apartamentos de preços baixos e casas que são entregues aos bancos por falta de pagamento dos créditos.

A alternativa a este marasmo do mercado imobiliário parece ser os arrendamentos. Muitas imobiliárias referem que o arrendamento tem tido uma grande procura, no entanto, Jorge Silva, da Impacto, em São João da Madeira, considera que esta é apenas uma solução temporária porque quem arrenda tem a intenção de mais tarde comprar. Vítor Nunes da Silva, da Área X2, em Oliveira de Azeméis, refere que “os arrendamentos subiram substancialmente e as pessoas procuram T0 e T1 no concelho oliveirense, mas essas tipologias quase não existem”.

Sem conseguirem arrendamentos mais baixos em Oliveira de Azeméis, os estudantes universitários e os professores (a franja que mais procura esta solução) são obrigados a recorrer às freguesias vizinhas. Pinheiro da Bemposta e Palmaz são ainda alternativas à cidade de Oliveira de Azeméis, mas, não encontrando nestes locais, a procura estende-se até São João da Madeira. “Não havendo no concelho oliveirense, as pessoas recorrem a São João da Madeira mas o valor da renda tem que ser baixo para compensar as deslocações”, explica Vítor Nunes da Silva.

Os preços dos arrendamentos rondam os 300 euros para apartamentos tipo T2 e 350 euros ou mais para as tipologias mais acima. O agente imobiliário da Área X2 esclarece que os preços também dependem da localização dos apartamentos e do facto de estarem mobilados ou não. Para Vítor Nunes da Silva, até há pouco tempo compensava arrendar casa, no entanto, o agente imobiliário adianta que a partir do momento em que a taxa da Euribor começou a descer, é mais vantajoso pensar em comprar uma vez que as prestações do empréstimo bancário vão começar a descer.

 

Imobiliárias esperam que 2009 traga uma luz ao fundo do túnel

 

“Daqui para a frente vai ser melhor comprar do que arrendar”, explica Vítor Nunes da Silva que espera que 2009 traga um maior dinamismo ao mercado. Para o agente imobiliário, a descida de uma das indexantes do crédito à habitação (ver caixa) em Portugal é uma esperança para que as pessoas ganhem confiança e comecem novamente a comprar. Neste momento, os apartamentos que mais procura têm são os mais baratos, com tipologias de T1 e T2, no entanto permanece a dificuldade em aceder a um crédito à habitação junto das instituições bancárias (ver caixa).

Deste modo, os compradores do momento são investidores que agarram vendas de oportunidade, ou seja, apartamentos que são entregues a bancos e que são vendidos a preços muito baixos. Os investidores, geralmente, compram um apartamento para depois o colocar no mercado do arrendamento. A Área X2, em Oliveira de Azeméis, esclarece que os apartamentos que pertencem aos bancos e que são postos no mercado têm sido uma boa fatia do negócio da imobiliária. “Já vendemos bastantes apartamentos nas campanhas do Banco Espírito Santo (BES) e este é um nicho de mercado que começamos também a explorar como solução à crise”, esclarece Vítor Nunes da Silva. Esta campanha tem outra vantagem, tal como explica o agente imobiliário: “Uma pessoa que compre um imóvel do BES e vá lá pedir empréstimo, posteriormente, o banco dá regalias”.

Uma outra franja de mercado são os particulares que querem vender as casas usadas por não conseguirem pagar o crédito ao banco. São habitações postas à venda por valores muito inferiores ao preço de mercado e onde quem vende, por vezes, até sai prejudicado. “Os casos de pessoas que se querem desfazer do apartamento a todo o custo têm aumentado bastante”, refere Vítor Nunes da Silva que adianta: “Muitas vezes, quem vende recebem menos do que aquilo que ainda devem ao banco e depois têm que pedir à instituição bancária para ficar a pagar a diferença como crédito pessoal”.

A venda para investir numa nova habitação, geralmente maior, é outro dos nichos de mercado. No entanto, estes negócios também não estão fáceis de concretizar uma vez que não vendendo as casas onde ainda habitam não é fácil investir numa nova habitação.

 

Preços das casas desce face a dificuldades de vendas

 

Todas estas condicionantes poderiam fazer pensar que o preço das casas tem vindo a descer. No entanto, tal não parece estar a acontecer. O agente imobiliário da Área X2 explica: “Os grandes construtores, por exemplo aqui em Oliveira de Azeméis não baixaram os preços, o que tem acontecido é que não os têm subido de há uns anos para cá”. Vítor Nunes da Silva esclarece que o que tem levado os preços a descer tem sido o mercado gerado pelos particulares que querem, quase a todo o custo, vender os seus imóveis. “Os particulares que estão aflitos e querem vender o apartamento podem baixar o preço e há até mesmo os que se sujeitam ao preço que os compradores fazem quando vêem o apartamento”, confessa.

De qualquer modo, tanto a Era como a Área X2, em Oliveira de Azeméis, a Beliflat e a Impacto, em São João da Madeira, garantem ter apartamentos a preços acessíveis no mercado. Os agentes imobiliários explicam que não é preciso procurar fora das cidades, uma vez que ainda existem boas ofertas perto dos centros e, por vezes, ainda em apartamentos novos. As imobiliárias esperam que o ano novo traga mais investidores e melhores negócios.

 

Caixa

Bancos restringem acesso aos créditos à habitação

 

Um dos grandes problemas da compra de uma habitação é conseguir chegar ao crédito à habitação. A falta de confiança dos particulares e a retracção dos bancos tem gerado problemas na obtenção de créditos. Susana Mendes, consultora financeira da empresa Saber Como, em Santa Maria da Feira, explica que “não se tem feito créditos à habitação”. A empresa que dirige apenas tem feito créditos pessoais para ajudar as pessoas a consolidar todas as dívidas num só empréstimo de forma a reduzir as prestações.

Para Susana Mendes, “os bancos estão cheios de vontade de emprestar, mas a um tipo de clientes que não existe”. A consultora financeira adianta que as instituições bancárias procuram clientes cujo “risco seja zero, ou até menos zero, isto é, cujas referências sejam as melhores e, neste momento, isso não existe”.

Para Jorge Silva, da Imobiliária Impacto, “os bancos estão mais rigorosos na análise e estão a dificultar mais o crédito”. Já Fernando Pereira, da Era Imobiliária, esclarece: “Eu penso que os bancos estão à procura que o mercado estabilize, uma vez que a banca também está a atravessar uma crise”.

 

Caixa

Euribor desce mas prestações só seguem o mesmo caminho a partir de Dezembro

 

Apesar da Euribor, principal indexante do crédito à habitação em Portugal estar a descer, as famílias só vão notar um abrandamento nas prestações do empréstimo a partir de mês de Dezembro. De acordo com a Agência Lusa e segundo o Banco de Portugal, as restrições ao crédito vão aumentar ainda mais. Nos próximos meses, a banca deve continuar a subir os spreads e a exigir mais garantias às famílias e às empresas.
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