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Albino Martins, vice-presidente da Câmara Municipal de Oliveira de Azeméis
Date 07/11/2008 10:19 Author nunoborges
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Albino Martins, vice-presidente da Câmara Municipal de Oliveira de Azeméis

“Esta sala de cinema foi emblemática e cumpriu o seu papel”

 

A realizar 40 anos de existência, o Cine-Teatro Caracas é já uma sala emblemática no concelho de Oliveira de Azeméis. Os grandes espectáculos têm passado por lá e a Câmara Municipal diz que vão continuar a passar, apesar de a sala precisar de remodelações. Albino Martins, vice-presidente da autarquia, em entrevista ao Mais Alerta, refere que as remodelações vão ser candidatadas a apoio e que até tudo poder avançar a sala do Caracas vai poder continuar a receber bons espectáculos. Mas vai também continuar a fechar no Verão por falta de refrigeração



Laura Sequeira

O Cine-Teatro Caracas tem já uma longa história associada ao concelho de Oliveira de Azeméis. Que momentos altos destaca?

A história do Caracas não tem muito a ver com a Câmara Municipal, pelo menos nos anos que ficam mais para trás. Como se sabe, o Cine-Teatro Caracas foi adquirido pela autarquia há cerca de seis, sete anos. Até aí era propriedade de particulares e eles tinham a sua programação e a sua actividade. No tempo em que o cinema era uma actividade muito procurada, aquele espaço foi uma sala de cinema emblemática na região, quando ainda não havia outros cinemas como há agora em quantidade, quando não havia centros comerciais onde há várias salas. Eram poucas as terras que tinham salas de cinema e recordo-me que aqui as estreias aconteciam simultaneamente com o Porto. Portanto, esta sala de cinema foi emblemática e cumpriu o seu papel.

Esporadicamente passava um ou outro espectáculo, mas era muito raro, era só o cinema que ocupava o Cine-Teatro Caracas. Foi adquirido pela Câmara numa altura em que se falava que andavam outras instituições atrás da compra daquele espaço, concretamente foi uma altura em que as igrejas andavam a comprar espaços, nomeadamente a IURD, que comprou outros locais e se falava que ia comprar este. A Câmara Municipal entendeu que aquele espaço era importante para dinamizar culturalmente a cidade, numa altura em que já não havia lá cinema. Tinha passado a haver cinemas mais pequenos e havia o Gemini que ainda tinha um certo fulgor e o Cine-Teatro Caracas estava inactivo e apenas era alugado para eventos que a autarquia organizava. A Câmara alugava caso a caso para cada acção que desenvolvia e ficava caro. Aquele espaço era importante para a dinamização cultural da cidade e as poucas acções que se faziam ficavam muito caras à autarquia por causa do aluguer do espaço.

Foi nessa altura, embora por um preço bastante pesado, mas que foi pago faseadamente, que a Câmara fez a aquisição e em boa hora. A partir daí passamos para lá o Gabinete de Animação Cultural e começamos a ter uma programação regular, com diversas actividades.

 

Que actividades destaca?

Lembro-me que criamos em 2002 o Ciclo da Primavera, que é um conjunto de actividades que se tem desenvolvido todos os anos e que marca a animação cultural do período de fim de Inverno, princípio da Primavera. Em Abril ou Maio costumamos organizar uma série de espectáculos com uma cadência regular e que procura habituar as pessoas para essa actividade.

Desenvolvemos também outras acções pontuais e, para além do Ciclo da Primavera, há outras alturas do ano em que desenvolvemos com alguma regularidade a actividade do Cine-Teatro Caracas com eventos. Só há um período em que o encerramos porque entendemos que aí as actividades são prioritariamente cá fora, que é o Verão. Isto porque a sala ainda não foi remodelada e ainda não tem condições de arrefecimento, não tem ar condicionado e quando aquece muito a sala torna-se desagradável.

 

Fechar no Verão continua a ser a solução para o problema da falta de arrefecimento da sala

 

Acha mesmo que a melhor solução é encerrar nesses períodos de mais calor?

Neste momento é, não quer dizer que no futuro se mantenha assim. Nós poderíamos avançar para o ar condicionado, mas entendemos que a adesão das pessoas naquela época não compensa estarmos a colocar ar condicionado porque, na prática, não iríamos fazer mais do que dois ou três espectáculos.

Para além de toda a actividade que realizamos lá, também cedemos aquele espaço a diversas instituições que organizam espectáculos naquele espaço. Quando se trata de uma colectividade sem fins lucrativos concedemos a utilização pagando apenas uma taxa mínima de utilização. Todas estas entidades fazem uma utilização sistemática mas pouca procura há no Verão. De Junho até Setembro não há grande procura e nós também não promovemos e, por isso, pensamos que não há necessidade de investir em ar condicionado para aquele local específico. Não nos interessa estar a duplicar espectáculos para depois ter a sala vazia, uma vez que também organizamos espectáculos ao ar livre.

 

Que grande espectáculo gostaria de ver no Cine-Teatro que ainda não passou por cá?

Essa pergunta apanha-me completamente desprevenido porque tudo o que temos idealizado fazer aqui, temos feito. Temos tido aqui aquilo que de melhor se faz no espectáculo desde a música, à dança, ao teatro. Tivemos tudo o que há de melhor, tudo o que tem passado nas televisões. Tem havido variedade. Procuramos dar sempre o que está na berra. Já passou o Luís de Matos duas vezes. Não terá passado por aqui o que vai aos palcos internacionais, mas isso também era complicado porque eram precisos espaços com milhares de lugares. Mas tudo o resto temos tido. Vamos procurando ter o que vai estando em voga, mas equilibramos isso com a qualidade.

O público, muitas vezes, ocorre mais pela sonoridade dos nomes que vêm do que pela qualidade do espectáculo. Já temos tido espectáculos de grande qualidade que não enchem o Caracas e depois outros espectáculos com menos qualidade que, só por serem mediáticos, enchem mais facilmente. Procuramos entremear um pouco de tudo e ter vários tipos de espectáculo e também o mediatismo que as pessoas procuram.

 

As pessoas têm aderido bem às iniciativas?

Têm, mas temos tido altos e baixos. Há espectáculos que têm pouca gente e as pessoas dizem que não sabiam, mas faz-se todo o tipo de divulgação. Isto varia muito pelo tipo de espectáculo. Se colocarmos em cena um espectáculo muito mediático, não precisamos de fazer publicidade, basta que uma pessoa saiba e começa a fazer publicidade. Se um espectáculo não for mediático, mesmo tendo qualidade as pessoas não aparecem. Mas acho que temos tido uma média muito boa e uma adesão muito boa aos espectáculos.

 

O que se pode esperar para os próximos tempos?

Vamos continuar no mesmo ritmo. Vamos ter o Ciclo da Primavera que já estamos a preparar. Preparamos as coisas com bastante antecedência. Para além do Ciclo da Primavera, temos todos os anos comemorações do Dia da Música, do Teatro, da Dança, os espectáculos do concerto de Natal. Vamos procurando manter uma actividade regular e conseguimos fazê-lo e podemos orgulhar-nos de o fazer sem custos demasiado elevados.

Temos usado outra estratégia. Como temos uma sala grande e isso é apetecível para grandes companhias de teatro e vários artistas, nós negociamos, muitas vezes, a partilha da bilheteira. Em vez de pagarmos um cachet demasiado elevado pagamos menos e partilhamos a bilheteira. Vamos jogando com isto e com um orçamento que é muito de acordo com a época, um orçamento mais reduzido e de acordo com as dificuldades da época de contenção, conseguimos manter alguma dinamização.

 

“Para nós era emblemático trazer um grupo da Venezuela”

 

Um dos grandes espectáculos que veio este ano foi a Orquestra Típica Nacional da Venezuela, no passado dia 27, para comemorar o 40º aniversário do Cine-Teatro Caracas. Porque a comemoração nesta altura uma vez que a sala só faz anos em Dezembro?

O aniversário é este ano, não temos uma data exacta. Para nós era emblemático trazer um grupo da Venezuela. Primeiro, pelos imigrantes na Venezuela que temos no concelho e também pelos ex-imigrantes, que são muitos. Segundo, porque este espaço se chama Cine-Teatro Caracas e é a homenagem de um ex-imigrante ao país que o recebeu. Terceiro, nesta contingência toda tentamos aliar ao aniversário do Caracas um espectáculo da Venezuela. Pensamos que a Orquestra Típica Nacional da Venezuela iria ser um bom espectáculo e muito bem recebido, como foi, e aliamos uma coisa à outra e comemoramos ali. Nesta altura, foi o aliar a comemoração do aniversário à possibilidade de trazer ali aquela Orquestra.

 

Disse que aquela sala vai ser objecto de obras de remodelação. No dia da comemoração do aniversário do Cine-Teatro Caracas, Ápio Assunção, presidente da Câmara Municipal de Oliveira de Azeméis, disse estar à espera de uma ajuda do Governo. Até quando vão esperar?

Nós temos prioridades e há prioridades ainda maiores do que aquela. O Cine-Teatro Caracas, embora merecendo uma remodelação e precisando de ficar melhor, neste momento, ainda não está assim tão degradado porque temos vindo a fazer algumas melhorias ao longo do tempo que nos colocaram alguma segurança que nunca existiu. Uma das exigências da Direcção Geral dos Espectáculos em termos de segurança é que o acesso aos camarins deveria ser isolado do palco, por isso tivemos que criar uma porta corta-fogo e algumas melhorias para preservar a segurança. Para isso fizemos um acesso directo entre a tribuna e a plateia para evitar tanto movimento pelo lado do bar. A própria concessão do bar foi uma forma de dinamizar aquele espaço.

Temos vindo a fazer algumas melhorias pelo que o Cine-Teatro Caracas ainda tem capacidade para uma meia dúzia de anos sem intervenção. Ou seja, ainda consegue estar bem. De qualquer maneira, tal como outros concelhos aqui há volta, vamos tentar fazer a remodelação daquela sala de espectáculos. Esta remodelação está em fase de projecto que já foi apresentado duas vezes e tentamos corrigi-lo porque temos que aliar a comodidade à dimensão da sala. Aquele espaço tem quase 700 lugares e nós, mesmo conscientes que será necessário perder alguns lugares para melhorar a qualidade não poderá perder tantos que nos torne um pequeno auditório. Temos ali uma sala de grande dimensão que temos que aproveitar. Por isso, não vamos para uma sala que tenha menos de 500 lugares, mas essa remodelação irá prever uma ampliação de palco. Terá que ser criada uma coxia lateral oposta aquela que existe porque sentimos que as pessoas precisam de uma saída dupla para um lado e outro da sala. Há ali remodelações de fundo e depois claro remodelações de espaço.

Há prós e contras nesta remodelação. Todos os artistas que passam por ali nos dizem que aquela acústica é muito difícil de encontrar noutros lados e chamam-nos a atenção para a remodelação que temos que fazer. Sabemos que hoje tecnicamente é possível avaliar e prever as qualidades com que fica a sala e quando fizermos essa remodelação irá ser feita com cuidado para que não se percam as qualidades que a sala tem e que se criem outras qualidades.

Essa remodelação está dependente de apoio porque não é uma prioridade primeira mas é uma necessidade de fazer e, portanto, vamos avançar logo que haja um programa de candidatura a preservação daquele espaço iremos candidatar e iremos fazer a remodelação sem pressas e sem precipitar as coisas.

 

Até lá podem perder-se grandes espectáculos por não haver condições?

Não, como disse a sala tem ainda muito boas condições, com uma acústica que dificilmente arranjaremos melhor, condições de comodidade ainda aceitáveis. O único problema é no Verão, altura em que não se fazem espectáculos dentro de portas. Felizmente temos o aquecimento a funcionar bem e não é por aí que vamos deixar de ter espectáculos em condições.

 

Prevê-se então uma longa vida de espectáculos para o Cine-Teatro Caracas?

Quando diz longa eu penso já na remodelação. A curto prazo continuaremos como está mas tendo na mira a remodelação.

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