Padre e Vigário não se entendem, a diocese não resolve e os paroquianos de Ul, Oliveira de Azeméis, não sabem quando vão assistir novamente à celebração eucarística na sua igreja. Indignação e apreensão é o sentimento generalizado de quem não quer falar e de quem fala mas não dá a cara “porque é muito complicado”.

No primeiro dia do ano, pelas 09h15, a igreja encheu-se com cerca de três centenas de fiéis para assistir à primeira missa do ano, mas, no altar, não apareceu nenhum sacerdote. O padre Domingos, de 75 anos, que estava na paróquia desde Maio de 2005, tinha-se despedido na véspera, “deixando muita saudade” aos paroquianos, informando-os que a missa vespertina do dia 31 seria a última que iria celebrar na paróquia. Ainda esperaram até às 10h00, mas tiveram de abandonar o templo, indignados, e sem que ninguém lhes desse uma explicação para o sucedido.

“Já tinha avisado o bispo da diocese do Porto que não tinha hipótese de continuar, porque tenho a paróquia de S. Martinho da Gândara e ainda faço diligências externas”, explica o padre Domingos. Para agravar a situação, a sua empregada acamou e precisa de quem trate dela. O tempo foi passando e o sacerdote continuou sem respostas. Mais recentemente, diz o padre, o administrador apostólico D. João Miranda Teixeira ter-lhe-á dito que ia falar com o vigário de Oliveira de Azeméis, padre Albino, “para providenciar a substituição”. “O Vigário não tomou as providências necessárias, porque eu tinha avisado, por isso estou de consciência tranquila”, reafirmou.

“O padre Domingos saiu precipitadamente. Não se pode sair assim antes do tempo”, responde o vigário, sublinhando que o pároco “tinha que arranjar alguém para o substituir, porque não se pode deixar o povo sem missa”, acrescenta o padre Albino.

Além disso, prossegue, “tinha que apresentar a paróquia ao novo padre”, que, segundo apurou a nossa reportagem, deverá ser o padre Nuno da paróquia de Loureiro, que não quis ir para Ul sem sair a nomeação.

O padre Albino acredita que o problema deverá ser resolvido em breve. A Diocese do Porto mostrou-se visivelmente incomodada com a situação e não quis pronunciar-se, e nem sequer dizer se a nomeação iria ser feita a tempo de, no próximo fim-de-semana, os paroquianos de Ul poderem assistir à missa na sua igreja. “Não há qualquer comunicação a fazer”, foi a única frase, lacónica, que foi proferida pela Diocese do Porto à nossa reportagem.